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domingo, 25 de dezembro de 2016

25/12/2015



25/12/2015

            Há exatamente um ano minha mãe registrava esse momento. Dia 25 de dezembro de 2015. Lembro-me desse flagrante como se estivesse acontecendo no dia de hoje, minha mãe foi muito feliz quando conseguiu capturar essa alegria, olhos de fotógrafo eu ousaria dizer, não pela qualidade da foto, mas pelo sentimento nela eternizado. Em meio a todos os momentos nos quais me dissestes não, de todas às vezes das quais eu não concordei contigo em algo, e tua verdade e vontade se faziam o certo, eu sei que foi buscando me ver feliz. Tudo sempre foi almejando me ver feliz e saudável. Toda a minha vida, desde muito pequena até os dias de hoje, eu ouço frequentemente: ‘’Ela é a cara do pai’’, ‘’Puxou ao pai até no gênio’’. Daí, quando tu estavas presente tu respondias ‘’Essa menina feia desse jeito puxou a mim? A mim mesmo não’’, mas todos sabem o quanto aqueles comentários inflavam teu ego e te faziam pensar ‘’Realmente, minha neguinha puxou a mim’’. Sim... E eu também não posso negar que eu adorava ouvir isso, e adorava ainda mais saber que tu gostavas. Vez ou outra eu me pego fazendo coisas do dia-a-dia que tu quem gostavas, coisas como preferir um copo específico que deixa a sensação de uma água mais gelada, ou até mesmo assistir um filme do Mazzaropi – dávamos altas risadas assistindo juntos -  Lembro que o senhor gastava de minha caligrafia por ser parecida com a sua, que eu, diferentemente da maioria, entendia muito bem. Essa fotografia expressa exatamente a nossa relação, mesmo que muitas vezes eu tenha levado muitas broncas, hehehe: Pai e filha; amigos; batutinhas; e completamente apaixonados um pelo outro. Nesse dia, estávamos dançando (o que não é novidade pra quem já presenciou a cena); comendo uns petiscos, o senhor tomando sua cervejinha e fazendo uns coquetéis para os demais. Quem viu esse teu lado sabe o quanto tu gostavas de viver a vida e de vivê-la junto à tua família. Pai, tu não fostes embora, tu estás na minha letra; nos meus olhos; na minha face; no meu gênio forte; na minha pele; no meu sangue; e principalmente em meu coração. Impossível elencar o melhor momento que tivemos, mas, definitivamente, esse chega bem perto de demonstrar isso. Eu te amei ontem, te amo hoje e te amarei durante quantos amanhãs houver. A saudade que sinto de ti é imensurável, não sentir o toque da tua mão macia na minha é aterrorizante às vezes, mas me falaram certa vez que a saudade só é sentida daquilo que amamos, não há saudade onde não houve amor. Portanto, sentirei saudades eternamente, e será uma dádiva sentir saudades de ti, pois esse amor é o mais puro que pode existir. Amo você, meu painho! 

Robéria Viana 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Quero saber

Eu quero saber...
Não me interessa o que você faz para viver,
eu quero saber o que de fato você busca e se você é capaz
de ousar sonhar em encontrar as aspirações do seu coração.
Não me interessa a tua idade.
Eu quero saber se você será capaz de se transformar num tolo
para poder amar, viver os seus sonhos, aventurar-se de estar vivo.
Não me interessa qual o planeta que está em quadrante com a tua lua.
Eu quero saber se você tocou o centro da tua própria tristeza, e se você
tem sido exposto pelas traições da vida ou se você tem se contorcido e
se fechado com medo da própria dor.
Eu quero saber se você é capaz de ficar com a alegria, a minha e a sua.
Se você é capaz de dançar loucamente e deixar que o êxtase te envolva
até a ponta dos dedos dos pés e das mãos, e sem querer nos aconselhar a
sermos mais cuidadosos, mais realistas ou nos lembrar das limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que você está me contando é verdadeira.
Eu quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro consigo mesmo.
Se você é capaz de escutar a acusação de traição e não trair a sua própria alma.
Eu quero saber se você pode ser confiável e verdadeiro.
Eu quero saber se você pode ver a beleza, mesmo quando o dia não está belo,
e se você pode conectar a sua vida através da presença de Deus.
Eu quero saber se você é capaz de viver com os fracassos, os teus e os meus,
e mesmo assim se postar nas margens de um lago e gritar para o reflexo da lua, "SIM"
Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro você ganha,
eu quero saber se você é capaz de acordar depois da noite do luto e do desespero,
exausto e machucado até a alma, e fazer aquilo que precisa ser feito.
Não me interessa o que você é, ou como você chegou aqui.
Eu quero saber se você irá postar-se no centro do fogo comigo e não fugir.
Não me interessa onde, o quê ou com quem você estudou.
Eu quero saber o que te sustenta interiormente quando tudo o mais desabou.
Eu quero saber se você é capaz de ficar bem consigo mesmo, e se você
realmente é boa companhia para si mesmo nos momentos vazios.


Oriah Mountain Dreamer

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Reciprocidade

Uma vez me falaram algo sobre o fim da escola, da faculdade... e a reciprocidade. Você pode se perguntar o que essas duas coisas tem em comum, mas eu te digo, é aí quando as pessoas passam a se procurar. Acredito que isso tenha algo haver de fato com o fim de inúmeras fases da vida, não apenas da ''idade escolar''. Quando estamos na escola, na universidade, em algum curso, algum emprego, ou algo que façamos durante um espaço de tempo consideravelmente longo e com periodicidade, nos deparamos com pessoas, mesmo que poucas delas, que se assemelham a nós. Nos tornamos amigos, estudamos juntos, contamos nossos segredos, mesmo que os mais superficiais, saímos para comer um temaki, tomar um drink ou pedir uma pizza e assistir netflix. Bem, nesse momento temos aquelas pessoas as quais nos agrada a companhia, próximas, talvez até mesmo a semana inteira e o final de semana. Mas aqui é o seguinte: quando esse tempo acaba podemos com clareza perceber ou não a existência de reciprocidade na relação, aí é o momento em que ambas as partes hão de se procurar. Outras demandas da vida vão surgir: empregos diferentes, talvez cidades, estados ou até mesmo países diferentes, vidas distintas, e é exatamente nesse ponto em que a importância do sentimento vai se sobrepor ou não a falta de tempo, ao resfriado, as leituras pendentes, as reuniões e todos os outros desígnios da vida. Olhe ao seu redor... Quem te procura? Quem vai até você? E ainda... Quem você procura? Quem você vai atrás? Não percamos de vista aquilo que nos é essencial, falo de essência não no sentido de imprescindível para a existência da vida, mas essencial no ponto em que alimenta tua alma, que te quer bem, que te faz feliz, te faz sorrir e está contigo nos momentos que mais precisas... Tristes ou felizes. Mesmo que pra isso seja preciso pegar o carro no meio da noite e atravessar a cidade, ou fazer uma ligação internacional... Quando menos esperamos estamos sufocados pela rotina, perdidos, desesperados, e apenas esses momentos podem nos salvar e nos dar força para viver um novo dia e aproveitar a vida da maneira mais bela possível!

Robéria Viana
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Carranca

Meu barquinho vai subir o São Francisco
Como quem sobe os degraus de uma igreja
Não vou entregar minha cabeça em uma bandeja
Quero morrer na peleja

Descubra o que você ama e deixe que isso te mate
Tudo vai te matar, essa que é a verdade
Descubra o que você ama e se entregue sem temor
Tudo vai te matar, melhor morrer de amor

A gente tem que viver
Sorrindo quando é pra chorar
Pra fazer a morte tremer
De medo de vir nos buscar


Vivendo do Ócio
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cântico Negro

Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
— Sei que não vou por aí.
José Régio 
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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Episódio 5

É difícil não odiar. Pessoas, coisas, instituições. Quando quebram seu espírito e têm prazer em te ver sangrar, ódio é o único sentimento que faz sentido.

Mas eu sei o que o ódio faz com um homem. O afasta, o transforma em algo que não é. Algo que prometeu a si mesmo que nunca seria. Isso é o que preciso te dizer, para que saiba o quanto tento não cavar sob o peso de todas as coisas terríveis que sinto em meu coração.

Às vezes, minha vida parece um ato de equilíbrio mortal. Sinto um peso me dizendo o que eu deveria fazer. Reações impulsivas contra soluções longe de mim. Quando olho pro meu dia, vejo que a maior parte dele foi gasta pra limpar os estragos do dia anterior. Nessa vida, não tenho futuro. Tudo que tenho é distração e remorso.

Enterrei meu melhor amigo três dias atrás, e como clichê deixei uma parte minha naquele caixão. Uma parte que eu pouco conhecia. Uma parte que nunca verei de novo.

Todo dia tem um caixão pra os Sons, você abre e vê que está dentro. Você é o único que determina se é um presente ou uma sepultura.
           Jax Teller
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domingo, 28 de agosto de 2016

Desligamento

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

Charles Bukowski 

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